Nosso Presente e nosso Futuro x Serviços para Arquitetos e Engenheiros

Por Sandra Lanças, arquiteta e urbanista

Em meio a tantas coisas novas acontecendo, algumas não tão boas como o novo normal, a polarização de ideias e o aumento da desigualdade social, nosso presente tem mais peso agora e muitas vezes parece que o futuro – tão incerto – não tem tanta importância assim.

Na verdade, a vida não para, e enquanto nossos profissionais da saúde junto aos demais profissionais essenciais, como os de transporte, segurança pública e outros da cadeia produtiva, supermercados e farmácias, trabalham diariamente, nós, do outro lado, tentamos colaborar para manter o máximo de normalidade possível: trabalho e aulas remotas, compras de alimentos pela internet, mensagens instantâneas.

Telefonemas são só para quem é realmente importante ou algo urgente, vídeo chamadas são guardadas para ocasiões especiais como aniversários e e-mails para os assuntos oficiais. Enquanto isso acontece, esperamos voltar à normalidade, ou seja, reuniões presenciais, abraços, beijos, festas e aglomerações (logo que possível, please!).

A vida não para, e ela sempre cobra de nós a coragem para enfrentar nossas atribulações, e fé para continuar acreditando que vale a pena trabalhar por algo melhor no futuro. No meu caso, como creio também a de muitos de nossos colegas arquitetos urbanistas e engenheiros, trabalhar para garantir a formação dos nossos filhos e alunos para serem independentes e felizes, para poderem contribuir para uma comunidade e ter um Brasil melhor.

Cada pessoa tem sua motivação, própria ou emprestada, para seu próprio sonho ou para o sonho de outra pessoa. Por isso a vida não para, as pessoas certas (por vocação, por preocupação, por sorte ou por acaso) vão procurar trabalhar e atuar para que o futuro possa ser melhor para si ao menos, e quem sabe para outros também. É o nosso caso, dos arquitetos urbanistas, e dos engenheiros das várias modalidades.

O futuro sempre chega. No caso de uma cidade, para ser melhor para sua população são feitos questionários, diagnósticos, planos para melhorias em vários setores (políticas públicas para a saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, cultura, lazer, esportes, terceira idade) para a conservação dos seus recursos naturais, o patrimônio histórico, o uso e ocupação inteligente do solo, o desenvolvimento econômico, entre outros.

Se a cidade faz a lição de casa, que é de aplicar bem os impostos no presente e no futuro, também deve-se fazer a lição com relação à verificação das tendências econômicas e do comportamento social de suas comunidades, que é o elemento fundamental que sempre está fazendo a transformação (i)material no presente.

Algumas previsões dos futuristas já estão acontecendo, como a globalização, miscigenação, diversidade sexual e de gênero, consumo de pequenas indulgências como café, drogas lícitas e ilícitas, movimentando a materialidade nas obras, legislações e movimentação econômica, e um aumento de ocorrências ligadas à psique humana, principalmente relacionadas à insegurança psicológica, levando a busca por remédios e outras drogas.

 Infelizmente, ainda temos muito para ser resolvido, problemas como moradias precárias e habitações subnormais, um submundo onde ainda temos crianças crescendo sem condições dignas de segurança espacial e principalmente emocional, o que com certeza não contribui para o desenvolvimento intelectual, afetando o presente e futuro. Apesar disso, as pesquisas sociológicas afirmam que de um grupo de cinco filhos de uma família pobre, uma ascende na escala social e, se tiver vínculos de afetividade com os irmãos, ajudará a família e minorará as durezas das vidas de seus irmãos, principalmente dois pais em idade mais avançada, quando o tempo é mais cruel com os seres humanos.

Logicamente, mesmo verificando as tendências sociológicas, econômicas e tecnológicas, sempre teremos pelo menos um elemento do imponderável, que sempre manterá a transformação acontecendo. Sempre foi assim e sempre será, mas nós humanos também fazemos com que a vida continue.

Para o futuro de nossa sociedade local, temos que levar em conta que o bônus demográfico está no fim do ciclo, que a população está envelhecendo, a internet será cada vez mais rápida (20x mais rápida, é a promessa atual do 5G), possibilitando uma infinidade de serviços em tempo real, e que será cada vez mais onipresente em nossas vidas (embora ainda tenhamos várias faixas de “deserto” digital).

O trabalho intelectual poderá ser realizado em qualquer lugar que tenha sinal digital disponível, portanto estamos já tendo uma nova dispersão urbana das grandes metrópoles para as cidades do interior com população entre 100 a 300 mil habitantes.

Estas cidades precisam preparar os planos diretores para adequar realisticamente as novas demandas. Além disso a Lei do Estatuto da Metrópole prevê o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado – PDUI para os municípios que compõem uma região metropolitana.

O Brasil tem 74 regiões metropolitanas segundo um levantamento do IBGE de 2020. Os planos diretores municipais das cidades pertencentes a estas regiões metropolitanas devem ter imbricações legais com seus respectivos PDUI’s, para tentar assegurar o desenvolvimento regional, através das funções públicas de interesse comum, sobre vários aspectos, como transporte intermunicipal, sistema viário metropolitano, defesa civil, saneamento básico, uso do solo, aproveitamento dos recursos hídricos, distribuição de gás canalizado, além dos tradicionais e não menos importantes meio ambiente, saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana, políticas públicas para acessibilidade, para a terceira idade, esportes, cultura, lazer, e principalmente para assegurar o provimento das infraestruturas urbanas, com o abastecimento de água potável, saneamento básico, energia elétrica, e atualmente também a infraestrutura digital das tecnologias de informações, comunicações, entre outros, para garantir o desenvolvimento urbano e econômico às populações, principalmente nas regiões ainda não tão urbanizadas do interior brasileiro, aquelas que ainda carecem das infraestruturas urbanas básicas.

O que os engenheiros e arquitetos e urbanistas podem fazer para contribuir para uma cidade que proporcione cada vez mais um tempo de vida com qualidade para sua gente? Muito, em termos de serviços e de trabalhos, no presente e no futuro.

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